segunda-feira, 30 de dezembro de 2024

tônico

ontem te cantamos

te invocamos na festa

hoje viestes voando

canta na minha janela

pedindo para entrar

bate o bico forte

feito tambor

uirapuru

na rua

na tua

passeriforme

pequeno na aparência

grande em imponência

sanhaço-verde

é teu tom

esperança

paciente

se a agenda é vazia

tu preenche

o espaço

menos é mais

foi bonita a festa, pá

e tu estavas

estás 

sempre estará

aqui

acolá

icônico

misterioso

em sons

pois és 

tu és 

de sons 

tônicos

semitonados

desafinados

o importante é cantar

te encantar

agora voa

pois sei que tu és

canto

conto

contentamento

natureza

nós sempre estaremos

juntos

voando

cantando

no palco

no circo

na rua

em casa

entre amigos

e amores

voemos

amenos

amamos

voamos

voa

oa

a




 


terça-feira, 31 de janeiro de 2023

fatura fraturada

 há muito não ex-crio

onde foi que perdi a mão?

quando a platônica paixão finda

o amor realidade-imaginário se impõe

a vida não é só poética

é documentário 

corte-seco

eco, eco, eco, eco, eco

no fundo, a fenda

ressonar vadio

branco vazio

rimas pobres

desajeitadas 

caóticas

ainda moram

não pense que meu silêncio é dor

nestes cincoseis anos 

vivo é o avesso 

não dormência

meu silêncio é trabalho

pa-ciência

gozo a dois, risível, sonhador

satisfação companheira, amável 

falicidade

felicidade

numa urbe inesperada

onde ainda a-mora um ser 

criativo

pulsional

inconsciente

constantemente inconstante

a-moro

onde não sou senhor nem patrão

sem razão

mas com raízes criativas

cheias de encomendas não entregues

esperando pelo destino 

telas sublimadas

fotogramas atemporais

áudios nada castos

tecidos e costurados

entre fraturas, derrotas, quedas

vitórias, jogos e choriso

pulando, escorregando

mas trilhando um caminho

entre fissuras

cães e gatos preguiçosos

cavalos tristes

gente sofrida

gente (?) bizarra

maus tratos

maus tratamentos

mas

cá entre nós

alento

carinho

confiança

onde foi que perdi a mão?

quando achei entrelaçada à tua

firme, macia, nua, molhada

é tempo de cortar a poesia

para novos começos

práxis, léxis, sexos

de mãos dadas

na cama

na caminhada

encaminhando tudo o que for 

sublime

sublimado

ao destino

pulsional

em partes

em pares

oral-seio

anal-fezes

voz-invocante

olhar-escópico

tu-eu

terça-feira, 29 de agosto de 2017

derrama


teus olhos de mar represado
não escondem a tormenta
que faísca nas tuas ideias
chuvosas, gotejantes, liquefeitas

meu para-brisa embaçado 
pintado cor relâmpago
só descortina desatinado
na nossa violência amodiada

quando as línguas chicoteiam
eu confundo o som das ondas
com o afluente que serpenteia
agridoce no teu hysteron morada

noite clara e sobramos dilúvio
tu molhada de paixão no corpo
eu embriagando as palavras
num unguento de suor e areia

lembras o sofrer de um jovem
viro a cara, tenho sede de ti
teu carinho é a água que sorvo
derramado em tua face catalisadora

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

easy dor

deixa a menina
na porta de casa
ser livre e espera
a hora certa
o passadopresente
a futurausência
a história sem fim

deixa a moça
contar sobre a vida
brindar as conquistas
silenciar nota a nota
se o gozo valeu
se o grito é no peito
se o vento é
sudeste-memória
ou sul-esquecimento

deixa a mulher
crescer sem parada
ali na estrada de quatro
em quatro anos assumir
e sumir da tua vidinha
bela, sincera e molhada

deixa o homem
deixar tudo isso
tira o menino da cama
põe a mulher no banco
de trás, atrás, por trás
latejando prazer pela frente
minimiza tudo o que é objetocoisa
essa coisa dor aflita
ameniza, concretiza, estetiza
nessa coisa dor atada

segunda-feira, 17 de julho de 2017

tinderela


tua beleza
é
tua delicadeza
tua aparência
é
tua semelhança
boca, olhos, unhas
cabelos, sorrisos
ruivo-atriz
minha velha cicatriz
é
um sinal
verde espera-esperança
amarelo silly-silêncio
vermelho distópica-distância

gira-cores que desperta calma
ânsia por aportar no teu carinho
planos para um novo inverno
de neve
na alma
onde eu seja um tipo-cara melhor
sim, eu quero ser melhor contigo
ainda que os nós de nós não estejam
atados, afetados, enlaçados, lançados
como o álbum dos ídolos em comum
ou teu álbumgram de grandes amizades
sem filtros automáticos
a não ser aquele da tua mente leve
mente de leve pra mim

me preocupa
me ocupa esse tempo livre na prisão
me assusta
como meus poemas
que iniciam em conta-gotas
e terminam como o rio da tua cidade
nascente/morrente 
transbordando
provocando estragos
lituraterrenos

quarta-feira, 31 de maio de 2017

in trancetown


estou atrás da cortina
daqui o cheiro, o mofo
a morfina finda o amor
codifica dores indecifráveis
filtra cores dormentes
o prazer é um refletor
desfocado, difuso, luz negra
acentua os brancos da memória
mémoire ofegante, fole de morte
o que eu mato em mim?
o eu ou o Outro?
a outra?
eu odiamo a mulher
eu amodeio as mulheres
eu não quero existir
para não estar anjo
nem ser demônio
não ser sem sexo
eu ainda me pago
apagando num cinzeiro-divã
minhas dívidas
minhas dúvidas
minhas dádivas
minhas divas
minhas vidas
todos os meus clichês
minhas repetições
e as cópias mal feitas
abrem-se as ventanas da ilusão
o paucú se foi
estou no meio de uma ponte
frágil, velha conhecida
em eterna reforma e retorno
um olhar me julga
minha voz em fuga
silencia na travessia
e lá permaneço em transe
intransável, manancial de ecos
pura impotência de gozo
vias vazias, sinal verde
sou um continuum intransitável




domingo, 7 de maio de 2017

Hipóteses do hipotesão em um hipertenso


viver é suportar
ausências, distâncias
a cidade em festa
tua livre paralisia
a mente infestada
ontem éramos
uma possibilidade
futuramente pretéritos
hoje fomos
duas escolhas
presente passado a limpo
na sujeira da estrada
a lama da falta fala
você foi a melhor besteira
que eu não comi esta semana