Em meados de 2007, eu cursava a sétima fase do curso de Artes Cênicas. Numa das disciplinas (Estágio III) havíamos de ministrar uma oficina de teatro em alguma instituição de ensino regida pela prefeitura municipal. Resolvi me unir à Kamila Debortoli para que oferecêssemos a oficina em dupla. Pautamos nossa oficina com base em experimentos de jogos e técnicas teatrais engendradas pelo encenador, dramaturgo e estudioso do teatro, Augusto Boal, em seu Teatro do Oprimido. Boal era brasileiro. Desses que conquistou mais fama lá do que cá. Foi pra ele que Chico Buarque compôs ao lado de Francis Hime a carta-canção "Meu caro amigo", nos tempos em que Boal "curtia" o exílio no exterior.
Utilizamos ainda três contos do livro Volta ao mundo em 52 histórias de Neil Phillip, para que o grupo de 21 crianças se subdividisse em três, os quais interpretariam as narrativas em sala. Fiquei encarregado de rechear as histórias de elementos sonoros e musicalidade. Num dos exercícios solicitei que, de mãos dadas, fizéssemos uma roda e que partindo de mim e chegando ao último integrante da mesma, cada um falasse uma letra do alfabeto, sendo que para uma consoante, outra vogal. Ao completar o exercício obtemos a palavra RIMASOPOMUXIMEBACABAZEM. Alguns dias depois, inspirado em um dos contos selecionados, na palavra e no processo de trabalho compus a canção homônima.
Hoje, quatro anos após o acontecido, estou bolando um espetáculo de contação de estórias com o nome provisório de Pra relembrar o que não aconteceu. Um dos contos integrantes é o que me inspirou a canção que também fará parte da cena. Abaixo, a letra e a canção.
Volta, reviravolta o mundo dá
Chance de ser grande o que pequeno está
Saindo do casulo, sendo livre pra voar
Enfrentando problemas que se tem que enfrentar
Transformando a prosa em verso
Nesse mundo controverso
Onde o menor é grande e o pequeno é maior, oiá
Pra que nada nos oprima
Nossa palavra nos aproxima
E começa com rima nossa liberdade, aiê
RIMASOPOMUXIMEBACABAZEM, oiê


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