quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017
dedo na goela do cérebro
Aquela vontade súbita, diafragmática
de escrever, fica no vazio
eu preciso é de carinho
mas tenho medo de ser brega, piegas
ora, tenha autopiedade de mim
Medo? És isso?
Um erro premeditado
meditado, ditatorial e editorial
Quando erro, quero ir
rir da rima, remar pro nada
interromper essa via marítima
essa maresia de marasmo
quero estar, ser, existir
num fluxo e refluxo de letras
vomitar aquilo que não cabe mais
nos órgãos, seja estômago ou encéfalo
aquilo que parece uma carne apodrecida em mim
necrose, aborto, filho, filha, amigo, amiga, arte ex-machina
mãe que tenho em demasia
e não consigo ensurdecer
pai e pai e pai e pai e pai e pai
alheio à minha voz parecidamente padecida
chamo na chama do grito, irrito, esperneio e ajudo
e sempre a mesma sensação
o gosto azedo de um poema vomitado
um amor puro peronomucho no repeat
e a certeza que não tenho talento algum
jeito pra escrita, pra amar, viver, nem fuder
foda-se
vão aguentar o meu meio cheiro ou fedor por aí
porra, ranho de rinite, cachaça, cera de ouvido
merda, sujeira debaixo do pé, minha falta de fé
a consciência pesada, meu desajeito, dúvidas e dívidas
a culpa, aquela, a outra, a antiga, a nova e a do dia a dia
sem hífen, hímen, regra ou rego
porque minha única herança é essa
eu não arrego
envergo pra caralho
requebro, imito
misturo Lênin com Lenine
vodka e fumo de rolo
porrada com beijinho
mas fia, eu não quebro
e por mais que isso não seja
fim que se apresente
eu represento essa ressaca poética
de um fim de noite de balada
que não deu em nada
falsa madrugada, casamento de fachada
derrota americanizada, arremesso no zumbido
dedo no cu, ouvido ou goela
um ciclo de domingo
doído
cagado
rejeitado
trocado
vomitado
cafeinado
coado
acoado
ecoado
ado
adó
adô
dô
ô
o
^
Descomeço
Às vezes eu só queria sair por aí
Cigarro na boca, ascendente em câncer no pulmão
Tragar a fumaça submerso em meu aquário de abraços falsos
Abraçar feito minha lua em touro a todos
Todos aqueles a quem eu amei
Todas aquelas a quem eu magoei
Todos estes aí a quem eu mando
Dia sim, dia não
A pu-TA-que-o-PA-riu
Sem rir ou chorar
Beber minhas lágrimas transubstanciadas
Em suor inútil
Mijo ensanguentado
Porra amarelada e quente
Gozar num útero semi-arena
Como quando eu te fiz filha
Cê faz sete hoje
Vezes três e já pode ler sem censura
Toda a sacanagem que teu pai concebe
Foda é que esse livro-caderno a vida te dá
Sempre que é dia de aniversário
Que jamais reclamem
Do teu grito
Da porrada na mesa
Do choro em urro
Das noites em que somes
Da voz rouca
Por preferires a liberdade
As palavras afiadas
Xingamentos certeiros
Experimentum linguae
Sublingual
Respirado
Inspirado
Aspirado
Injetado
Oral
Anal
Vaginal
Tampouco reclamem
Da tua mediocridade
Da futilidade anestesiante
Da alienação (parental?)
Da voz doce e irritante
Da lânguida frigidez
Da subserviência
Da acomodação recatada
Por quereres a preguiça
O descanso do descaso
As mulheres de bens
Os homens tambéns
O lobby das esmolas
As desculpas
Esfarrapadas
Maltrapilhas
Medrosas
Burras
Feminicidas
Racistas
Homofóbicas
Patricidas
Mães do Set
Chakras
Chaves
Mares
Dias da semana
Pecados capitais
Notas ocidentais
Vidas felinas
Artes mundanas
Maravilhas do mundo
Anões com tesão
Trombetas do apocalipse
Filha, eu não te conheço
Filha, eu não te conheç o
Filha, eu não te conhe ç o
Filha, eu não te conh e ç o
Filha, eu não te con h e ç o
Filha, eu não te co n h e ç o
Filha, eu não te c o n h e ç o
Pois lá no começo
Tudo foi mim
Cigarro na boca, ascendente em câncer no pulmão
Tragar a fumaça submerso em meu aquário de abraços falsos
Abraçar feito minha lua em touro a todos
Todos aqueles a quem eu amei
Todas aquelas a quem eu magoei
Todos estes aí a quem eu mando
Dia sim, dia não
A pu-TA-que-o-PA-riu
Sem rir ou chorar
Beber minhas lágrimas transubstanciadas
Em suor inútil
Mijo ensanguentado
Porra amarelada e quente
Gozar num útero semi-arena
Como quando eu te fiz filha
Cê faz sete hoje
Vezes três e já pode ler sem censura
Toda a sacanagem que teu pai concebe
Foda é que esse livro-caderno a vida te dá
Sempre que é dia de aniversário
Que jamais reclamem
Do teu grito
Da porrada na mesa
Do choro em urro
Das noites em que somes
Da voz rouca
Por preferires a liberdade
As palavras afiadas
Xingamentos certeiros
Experimentum linguae
Sublingual
Respirado
Inspirado
Aspirado
Injetado
Oral
Anal
Vaginal
Tampouco reclamem
Da tua mediocridade
Da futilidade anestesiante
Da alienação (parental?)
Da voz doce e irritante
Da lânguida frigidez
Da subserviência
Da acomodação recatada
Por quereres a preguiça
O descanso do descaso
As mulheres de bens
Os homens tambéns
O lobby das esmolas
As desculpas
Esfarrapadas
Maltrapilhas
Medrosas
Burras
Feminicidas
Racistas
Homofóbicas
Patricidas
Mães do Set
Chakras
Chaves
Mares
Dias da semana
Pecados capitais
Notas ocidentais
Vidas felinas
Artes mundanas
Maravilhas do mundo
Anões com tesão
Trombetas do apocalipse
Filha, eu não te conheço
Filha, eu não te conheç o
Filha, eu não te conhe ç o
Filha, eu não te conh e ç o
Filha, eu não te con h e ç o
Filha, eu não te co n h e ç o
Filha, eu não te c o n h e ç o
Pois lá no começo
Tudo foi mim
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