há muito não ex-crio
onde foi que perdi a mão?
quando a platônica paixão finda
o amor realidade-imaginário se impõe
a vida não é só poética
é documentário
corte-seco
eco, eco, eco, eco, eco
no fundo, a fenda
ressonar vadio
branco vazio
lá
rimas pobres
desajeitadas
caóticas
ainda moram
não pense que meu silêncio é dor
nestes cincoseis anos
vivo é o avesso
não dormência
meu silêncio é trabalho
pa-ciência
gozo a dois, risível, sonhador
satisfação companheira, amável
falicidade
felicidade
numa urbe inesperada
onde ainda a-mora um ser
criativo
pulsional
inconsciente
constantemente inconstante
a-moro
onde não sou senhor nem patrão
sem razão
mas com raízes criativas
cheias de encomendas não entregues
esperando pelo destino
telas sublimadas
fotogramas atemporais
áudios nada castos
tecidos e costurados
entre fraturas, derrotas, quedas
vitórias, jogos e choriso
pulando, escorregando
mas trilhando um caminho
entre fissuras
cães e gatos preguiçosos
cavalos tristes
gente sofrida
gente (?) bizarra
maus tratos
maus tratamentos
mas
cá entre nós
alento
carinho
confiança
onde foi que perdi a mão?
quando achei entrelaçada à tua
firme, macia, nua, molhada
é tempo de cortar a poesia
para novos começos
práxis, léxis, sexos
de mãos dadas
na cama
na caminhada
encaminhando tudo o que for
sublime
sublimado
ao destino
pulsional
em partes
em pares
oral-seio
anal-fezes
voz-invocante
olhar-escópico
tu-eu

