segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012
Quando tudo se ajeitar
quando tudo se ajeitar
os pingos da tinteiro nos 'is',
os de chuva em rasas poças,
os cabelos molhados das moças
pintarão em conta-gotas
telas de Mestre Dalí.
quando tudo se ajeitar
na parede alinhados quadros,
relógio de horário ajustado,
tapete 'bem-vindo' no chão.
o pão quente ali da esquina,
no ouvido da menina
da bossa nova o refrão.
quando tudo se ajeitar
ao pôr do Sol eu me achego,
mas não poso de 'teu nego'.
se estás é calmaria.
se não, nem morro de azia.
não complico, implico ou embico.
se demora, toco um Chico
e encho a boca de feijão.
quando tudo se ajeitar
chega de tanta bagunça.
noitada? vai ter sim senhor.
mas ao lado da amada,
do gato batizado 'Fellini',
de vinho, massa fettuccine
cinema, pipoca e cobertor.
quando tudo se ajeitar
é claro que vai ter problema.
de pequeno a grande dilema.
do 'com que roupa eu vou?'
a papo de separação.
tempo frio vai ficar quente,
fofocarão sobre a gente,
brisa mansa é furacão.
quando tudo se ajeitar
se ajeitar bem de verdade,
na casinha então que é nossa
além da já dita bossa
toca jazz, samba e baião.
cada um torce pr'um time,
segunda é dia de regime
pra engordar o coração.
mas se quando tudo se ajeitar
versos na ponta da língua,
discurso pronto e afiado,
pintar você e um namorado
carimbando meu plano com um 'não',
eu não vou fazer alarde.
pego papel e caneta
e escrevo um bilhete à mão.
contendo uma pá de saudade
de um não ser que pra mim foi,
saio eu pela cidade, subo no prédio mais alto
jogo o bilhete no chão.
e quem pegar que se ajeite
que dê um jeito no jeito
de se ajeitar com a tal paixão.
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