quinta-feira, 19 de abril de 2012

Hiato


Não há folha em branco, nem alforria.
Há hiato. No vento, no tempo, no ato.
Pontos em sequência, final, reticências.
Ponto. Parágrafo. Pronto. Escrevo-me.

Resumo-me.  Não quero mas tenho.
Vou e venho. Você vai sem vir.
Rasgo a tela. Não há folha, lembra?
Tenho que ir. Mais um pouco? Fico.

Fica comigo? Não. Café? Sem açúcar.
Se crucifica comigo? Sim. Se dói?
Três dias no máximo. É o máximo!
Depois ressuscita, súbito, solene.

Sim, suscita mais texto. Meu pretexto.
Pra quê? Pra crucificar algo mais.
Não dou ponto sem nó, dizia vovó.
Poema é problema. Queria um conto.

Não há tempo. Depois eu conto. Há temporal.
Atemporal? Não. Sangra sim. Logo sara.
Onde? Na têmpora. Fica perto do pensar.
Perto de ti agora. Embora não queira, fui. Sorri.

0 comentários:

Postar um comentário