madrugada, poetiso
vai soar Noel Rosa
Shakespeare, Neruda
não é novo, mas falo
sou cópia mal feita
dos poetas antigos
fosse amigo beberia
um gole com Vininha
dividiríamos a conta
sarros, dores e canto
riríamos nosso riso
choraríamos o pranto
uno palavras no hoje
sem parceirinho genial
escrevo pra não morrer
de paixão, raiva, rancor
digito o amor de dote
lado pobre, lado rico
palhaço humilde concluo
não és tu pro meu bico
não sou Rei, engenheiro
executivo, bon vivant
não tenho casaca de grife
uso Zorba e não Cardin
sei que tu aceitarias
de coração um artistinha
um ator que pode tudo
na alegria e na tristeza
acontece que não admito
Princesa sem conforto,
ladrão na Granja do Torto
trocar sussurro por grito
deixa então o amor pra lá
no nível do bem querer
guardo embaixo do colchão
pra mais tarde poder ter
paixão hoje em dia é item
entrou na economia do lar
fiques tu com um novo rico
sem grana eu não posso amar


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