Às vezes eu só queria sair por aí
Cigarro na boca, ascendente em câncer no pulmão
Tragar a fumaça submerso em meu aquário de abraços falsos
Abraçar feito minha lua em touro a todos
Todos aqueles a quem eu amei
Todas aquelas a quem eu magoei
Todos estes aí a quem eu mando
Dia sim, dia não
A pu-TA-que-o-PA-riu
Sem rir ou chorar
Beber minhas lágrimas transubstanciadas
Em suor inútil
Mijo ensanguentado
Porra amarelada e quente
Gozar num útero semi-arena
Como quando eu te fiz filha
Cê faz sete hoje
Vezes três e já pode ler sem censura
Toda a sacanagem que teu pai concebe
Foda é que esse livro-caderno a vida te dá
Sempre que é dia de aniversário
Que jamais reclamem
Do teu grito
Da porrada na mesa
Do choro em urro
Das noites em que somes
Da voz rouca
Por preferires a liberdade
As palavras afiadas
Xingamentos certeiros
Experimentum linguae
Sublingual
Respirado
Inspirado
Aspirado
Injetado
Oral
Anal
Vaginal
Tampouco reclamem
Da tua mediocridade
Da futilidade anestesiante
Da alienação (parental?)
Da voz doce e irritante
Da lânguida frigidez
Da subserviência
Da acomodação recatada
Por quereres a preguiça
O descanso do descaso
As mulheres de bens
Os homens tambéns
O lobby das esmolas
As desculpas
Esfarrapadas
Maltrapilhas
Medrosas
Burras
Feminicidas
Racistas
Homofóbicas
Patricidas
Mães do Set
Chakras
Chaves
Mares
Dias da semana
Pecados capitais
Notas ocidentais
Vidas felinas
Artes mundanas
Maravilhas do mundo
Anões com tesão
Trombetas do apocalipse
Filha, eu não te conheço
Filha, eu não te conheç o
Filha, eu não te conhe ç o
Filha, eu não te conh e ç o
Filha, eu não te con h e ç o
Filha, eu não te co n h e ç o
Filha, eu não te c o n h e ç o
Pois lá no começo
Tudo foi mim
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017
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