terça-feira, 31 de janeiro de 2023

fatura fraturada

 há muito não ex-crio

onde foi que perdi a mão?

quando a platônica paixão finda

o amor realidade-imaginário se impõe

a vida não é só poética

é documentário 

corte-seco

eco, eco, eco, eco, eco

no fundo, a fenda

ressonar vadio

branco vazio

rimas pobres

desajeitadas 

caóticas

ainda moram

não pense que meu silêncio é dor

nestes cincoseis anos 

vivo é o avesso 

não dormência

meu silêncio é trabalho

pa-ciência

gozo a dois, risível, sonhador

satisfação companheira, amável 

falicidade

felicidade

numa urbe inesperada

onde ainda a-mora um ser 

criativo

pulsional

inconsciente

constantemente inconstante

a-moro

onde não sou senhor nem patrão

sem razão

mas com raízes criativas

cheias de encomendas não entregues

esperando pelo destino 

telas sublimadas

fotogramas atemporais

áudios nada castos

tecidos e costurados

entre fraturas, derrotas, quedas

vitórias, jogos e choriso

pulando, escorregando

mas trilhando um caminho

entre fissuras

cães e gatos preguiçosos

cavalos tristes

gente sofrida

gente (?) bizarra

maus tratos

maus tratamentos

mas

cá entre nós

alento

carinho

confiança

onde foi que perdi a mão?

quando achei entrelaçada à tua

firme, macia, nua, molhada

é tempo de cortar a poesia

para novos começos

práxis, léxis, sexos

de mãos dadas

na cama

na caminhada

encaminhando tudo o que for 

sublime

sublimado

ao destino

pulsional

em partes

em pares

oral-seio

anal-fezes

voz-invocante

olhar-escópico

tu-eu

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