domingo, 13 de maio de 2012

Banho-maria


No banho a água lava e clarifica
ideias, rostos, gostos, opostos
Unta corpos, torna-os adstringentes
água gelada, corpos ardentes

Nas imersões relaxo e me acho
Na última descobri bens preciosos:
Uma cidade submersa, eu, você
sobre nós um pouco mais e porquê

Minha banheira é espelho d'água
é mágico, revela o cômico-trágico
Banheira, banheirinha minha, nossa,
existe alguém mais grato do que eu?

Por você escafandrista me resgatar
carinhosa do abissal da tristeza
Revelar o peito-baú, arrombar cadeado,
amaciar outra vez o coração ontem pedra

Meu obrigado é te gostar quietinho,
sob a espuma e mesmo que não se consuma
na saboneteira fica o sentimento, terno
eterno pra que outro ensaboe, enxague

Tanta paixão que transborda da tina
rompe a represa, molha a retina
É pathos, de fato, sem patifaria,
o amor que se coze em banho-maria.

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