quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Blackout


O ator é um fugitivo
Corre para as coxias
Abandona personas
Máscaras, mentiras

Deixa nu o proscênio
Eis o fim da ilusão,
do tormento em show
Cai o pano, sobe a vida

Nada lhe pertenceu
Despe-se do figurino
Põe um trapo qualquer
Desmonta o cenário

Arranca sua juventude
com algodão embebido
Frente ao velho espelho
mostra suas cicatrizes

Engenheiro sentimental
Calcula todos friamente
Paixão, ódio, desamor
No fim, resta-lhe o medo

Falseará uma vez mais?
Responderá as deixas?
Pagarão em cachê ou queixas?
Aplaudirão sinceros ou forçosos?

Repentinamente trevas, blackout
Silêncio de perfurar os ouvidos
Um exército de cadeiras revela-se
Imóveis, críticas, rigídas, blasés

Debulha em suor no tablado
Sente o corte no pé direito
Tudo não passou de um ensaio
Textos no palco, cenas na vida

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