Tudo o que fazia na vida era esperar. Era seu passatempo favorito, pois sabia que todo tempo que passa é passível de preenchimento. Preenchia o seu com espera e pensava este modo de rechear os momentos como algo que lhe era exclusivo. Então percebeu que não era só em seu banco de espera. Encontrou entre seus pares de preenchimento temporal um que lhe fez não mais lembrar do tempo. Notou que sua presença também provocava a mesma reação em tal par. Decidiram por unirem seus tempos e preencherem-se enfim. Juntos, agora já não ligavam se os tempos eram de sol ou de chuva, de inverno ou verão. Bastava tempo para seus tempos e todo tempo era tempo bom.
Certo dia marcaram um encontro. Um atrasou-se. O outro não esperou que chegasse e partiu. Não mais se viram. Anos mais tarde, o que partiu descobrira que naquele tempo amou. Teve consciência de seu amor e da partida inevitável ao ouvir no rádio uma canção. Em versos simples fez a questão de anos silenciar: "O amor não sabe esperar."
Pedro pedreiro - Chico Buarque


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