segunda-feira, 26 de novembro de 2012

À Deus


olho para o reflexo da lua à pino
no prédio-espelho pedante, frontal
desperto num meio-dia às avessas
eremita da madrugada in Downtown

reabro a loja de ideias noturnas
aos clientes vendo palavras íntimas
sou executivo do mercado de poemas
invisto meus sentimentos, corro riscos

o silêncio dominical remete ao mar
repuxa sua renda à beira da praia
depois vomita a Segunda frenética
onda de delírios, sons e problemas

não durmo, tampouco quero acordar
amparo a foto dela numa das mãos
sobra na outra o café embriagado
por um destilado de milho qualquer

forjo situações num metal precioso
palavras, desejos, anseios, senões
a negativa futura ecoa no presente
põe-me a almejar plenitude divinal

serei um deus a censurar a alvorada
andrógeno, louco, sedutor e egoísta
guardarei tua alma no templo-coração
morará sempre em mim a deusa poetisa

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