quarta-feira, 7 de novembro de 2012
Anexo
eu acho que tudo é perdido
se esvai a areia da praia
escuto o barulho de ondas
pressinto o tempo fugindo
pro teu presente envelopado
corro e me para o carteiro
ocorre que ando sem freio
fico feliz, mas sem trocado
troco a roupa para me ocupar
decido sair por aí a tua procura
tocam Vivaldi no meu quintal
atraso pois os olhos marejam
recordo a infância sem avô
a adolescência desperdiçada
o adulto niilista e sem nada
aquela menina sem paz ou pai
no dia a quarta-feira arde
baixa o sol, vem o cigarro
whisky, teu perfume passa
meus pés brancos retrilham
descem as escadas descalços
erro a porta de casa, fujo (de quem?)
o zelador chama: "sua revista!"
grito "Bravo!", ele resmunga
volto, piso na bituca em brasa
lembro do Milton de frágil saúde
'sei que nada será como antes'
o amanhã ecoa em toda a casa
quase esqueço do hoje, agora
rogo mau agouro à cidade-àgora
tanta balbúrdia e tu amas baixinho
te vislumbro no Quintana de bolso
só então te chamo, nos reconhecemos
sinto que conosco é sempre assim
nos desencontramos nos encontros
para o reencontrar ser mais intenso
xingamos o mundo em silêncio
choramos a existência sem lágrimas
namoramos sem ciúmes ou beijo
como se trasbordássemos o vazio
Assinar:
Postar comentários (Atom)


0 comentários:
Postar um comentário