sábado, 10 de novembro de 2012

Em xeque


Negociando comigo não sou do tipo amigo.
Não vendo-me fiado nem poso de fiador,
Não tem preço de banana, nem promoção.
É sem crédito cretino ou boleto bolado,
Debilito no débito, mas pago a mim cada centavo.

Anos de convívio fizeram de mim meu chegado.
Chequei e vi-me prezado, cultivei por mim apreço.
Não sou boneco de venda, sou sem preço, com valor.
Não me empresto, presto ou compro, doo-me.
Doaria-me a ti fosse pra doer na alma ou no bolso.

Acontece que desta vez concedi-me um prazo.
Juro bem jurado que sem moratória ou cartão
Sou do tempo do cheque, passei-me um voador
Tem canto de tico-tico, voo de falcão-peregrino
migração enviesada em bando de andorinha

Pré-datei minha ânsia, pus em xeque a liberdade
Cruzei num canto da folha e os dedos cruzei em figa
Que siga-me a sorte em trinta, sessenta, noventa
Pra no fim dos noves fora, puro ar bater nas ventas
Sem calote, filhote ou dote, sem ventanear a vida.

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