Em ti aspiro minhas melhores inspirações.
Já não expiro ar senão, sentimento.
Tornei coração meus pulmões.
Te pulso, te respiro, me arrebato e me arrebento.
Por ser mais um em teu humanal.
Por ser nau a partir só e em choro do cais.
Não ter teu colo e ser esse coro de silêncio atonal.
Por ser pouco, poucochinho, nada de mais.
Sem abrigo ou amigo, cá contigo me sonho.
Adentro ralé e a pé os arcos sutis de tua boca,
Me banho folgazão na fímbria de teu olhar tristonho,
Me recomponho ao supor teu grito perene pela voz pouca.
Reclusa entre gracílimas escusas, me recusas.
Tens a hábil certeza daquele que nada sabe.
A inútil fortaleza do que provoca, usa e abusa.
Cá no sonho adormeço para que em verdade ele não desabe.
Paulinho Nogueira - Se Ela Perguntar/Dois Destinos


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