sábado, 6 de outubro de 2012
Aguadeiro
os calafrios calorosos
sobressaltos em sonhos
olhar em preto e branco
meu riso tritesíssemo
não por fé, nem por febre
minha doença é congênita
sofro de aquarianismo,
ascendências, inacontecências
vírgulas, pontos, reticências
avio-me receitas de jornal
oráculo de tolo que me pesca
pondo-me peixe fora d'água
dentro da salinha de vidro
resta o reflexo na parede
a convivência com a solitude
ânfora por Ganimedes derramada
não sirvo pra mar ou rio
me cabe a ficção zodiacal
estampada no horóscopo
vanguardista, louco, sonhador
traduzo-me no elemento ar
vida aberta, livre, puro
vital, necessário, invisível
pairando sobre tudo e nada
só cesso na dúvida desaguada
na lágrima represada de bicho
nos teus pulmões que carregam
o oxigênio do meu amor sufocado
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