segunda-feira, 1 de outubro de 2012

terminal


de tudo resta a impaciência
uma pitada de sal, enxaqueca
lápis de olho atirado na pia
fragrância cítrica incensada

fica o silêncio retumbante
fotografia na mesa de centro
raspas de gelo liquefeitas
falta de ar na madrugada

então a manhã vem chuvosa
com face triste, consonante
relampejam soluços, saudade
garoam lágrimas e suor frio

dedos hesitam frente ao celular
a maldita memória não falha
recobra o número feito mantra
roga-se Alzheimer como praga

que seja depressão de segunda
o dia que devora a humanidade
pensa, caminha, repensa, senta
de tudo resta a impaciência

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