segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Gela





Sempre bom lembrar: Obra de ficção, indignação e inspiração.

Não que seja a virgem imaculada
Milagreira, santa ou algo parecido
Possui sim qualquer coisa de anjo
Que ampara em sorriso ou assinatura

Maneiras de lady, pensamento à  frente
Ajeita cabelo, batom, firma a postura
Resoluta, combatente, não altera o tom
ao rimar prefeitura, lisura, cura, cultura

Leoa da ilha, mané, catarina, tripeira
Almeja em Desterro a França do Zé Peri
Em tintas azuis, brancas e vermelhas
Sem o "pequeno príncipe" torto daqui

Sim, também joga, opera a máquina
Mas com mãos de avó, cheiro de mãe
Creme, loção, na delicadeza do anseio
Com todo amor de filha, furor de fêmea

Pra lá da ponte rosa não chora, ressente
Reflete, reconhece, se aconchega, dorme
Pouco e no embalo do salgado vento sul
que sopra - em prece - velas bruxuleantes

Não é mais faceira a moça do Rancho
E amanhece a cidade de cabeça quente
Sem chuva de choro, enlutada de sol
Enquanto o amanhã gela; albino, nevado

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